Minha Pasárgada

quarta-feira, 19 de setembro de 2012 0 comentários


Toma-me o tempo, meus passos leves, brumam espumas de cacheira no pescoço, esculto a natureza cantar pra mim, volto pra cabana descalço, com os pés molhados, ora o chão é rochoso, ora fofo, ora coberto de areia, ora folhas secas, é um caminho relativamente distante, mas poético e quanto maior a distância melhor. Chego à cabana, as vezes há quem me espera, as vezes não, em nenhuma das vezes que queixo, em todas adoro, entro, me alimento, as vezes comida chique e requintada, as vezes bem exagerada, nunca falta o violão, não falta vinho do porto, sempre tem Whisky do bom, não me faltam expressões, claro que há dinheiro, o suficiente no banco, que atenda as vontades poéticas (muito). A noite, cálida, chega suave e a lua me beija, traz um manto frio que cobre o lago de névoa, tudo é desculpa pra viver poesia, então vou a fora, uma fogueira é feita, claro o violão, nunca planejei companhia, mas as vezes vinha, as vezes não, a noite não tem tempo, não tem hora nem limite, termina com a luz do horizonte mais uma vez acessa anunciando coisas novas, a chegada de mais um dia, o conteúdo não se sabe.
A tarde tem seu sabor singular, após o exercício matinal de observação ao lago, o pensamento de como a vida pode te conduzir na dança, como se pode tomá-la pelos braços e a levar pra uma quente bolero, depois de vagos devaneios e algumas póstumas lembranças, começa o dia, a prova da verdade, realizações de utopias, beijos de quimeras, desejos que até esquecidos se concretizam, a valsa tocando indica que não há presa para nada, hão apenas desejos a serem realizados, posto que todos são possíveis. Não há alienação, neste lugar, não preciso lutar contra os homens, mas ajudo quem aparece no caminho. Sempre há uma nova canção, a tarde as vezes é longa, as vezes bem curta, um dia ou outro à tarde cabe um cochilo, sempre cabe sorrisos, a qualquer desatenção de um dia não há revolta, o dia seguinte vem pra compensar. Assim seguem-se os dias, a lei é tão somente pura e essência felicidade, talvez não pura e essência, mas minimamente disfarçada, não há tédio, há sempre o que fazer (se houver ideias), não há solidão (só quando querer), não sou amigo do rei, mas sou súdito de mim, mas se assim um dia quiser tudo deixar, faço, na certeza que sempre estará minha Pasárgada pronta onde a deixei.

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