Texto: Querer - Música: Quereres - Caetano Veloso

quinta-feira, 14 de junho de 2012 0 comentários


Eu quero teu corpo em minhas mãos
Quero teu beijo molhado em mim

Quero um coração guarida
que seja aperto abraço ao corpo só

Eu quero teu amor em profusão
Paixão banhada de desejo

Quero beber deste vinho novo
que seja amargo na minha boca, doce na garganta

Quero me tornar forte o fraco
que faça beleza este horrendo medo

Quero viver a morte
morrer o ego velho e viva o frescor

Quero beijar a menina na rua
Pra isso lábios, pra isso dois, pra isso nós

Quero o querer, querendo bem
quero me queira o nunca mal

Se faltar fé o meu desejo
Luto, luto pra crer

Se lhe faltar desejo
Que tenha amor, me ame e eu desejo por você

RonaldoFernandes

Na indicação em casamento com o texto está a canção Quereres de Caetano Veloso cantando com o consagrado Chico Buarque, canção na qual Maria Gadu tem escrita na porta de seu quarto, uma canção muito especial a muitos quando compreendida e sentida em razão de internalização do sentimento transmitido, tudo tão forte e belo.

Quereres - Caetano Veloso



O Quereres
Caetano Veloso


Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão

Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e é de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock?n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é em mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não há em mim

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