A cor do medo

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012 0 comentários



Dizer que o medo é a ausência de sentimentos é errôneo, essa seria a covardia, a falta de toda nobreza de alguns sentimentos e a pobreza de outros, que por lógica teria como cor a negra, que é a falta de todas as cores, mas também a mesma lógica contradiz a crença popular onde é atribuída a cor branca à paz, uma vez que o silogismo levaria a atribuir esta cor à confusão, já que poderia ser a mistura de todos os sentimentos (uma grande confusão) como a cor branca é a mistura de todas as cores. 
O medo é situação, é a temperatura, sim a temperatura, como para uma química, você junta dois elementos, mas eles dependem da temperatura ideal para reação, o medo é a mistura de alguns sentimentos e a temperatura, o clima do momento que o faz surgir.  O verdadeiro medo é a incógnita, a ignorância, como toda mudança gera passar do conhecido para o desconhecido isso causa fobias em algumas pessoas, saber o que vai acontecer mesmo que seja a derrota não deve gerar medo e sim conformação ou força para superação, mas o medo puro é na/da/a ignorância, o fato de não saber. 
Não saber é o maior perigo, enquanto o mundo em amplitude e variações se movimenta com tudo que nele há, existem aqueles que fazem afirmações e conceituam sem saber do que realmente acontece (Hegel foi criticado por Marx por teorizar dentro de um quarto escuro sem se contactar com a prática)  criam suposições daquilo que é provável, Descartes tomava tudo que era provável como falso. A leiguice faz nascer/ascender uma seleta de sensações dentre insegurança, insatisfação, frustração, inferioridade, até fazer a pessoa se sentir um peixe fora d'água, que tudo isso mesclado traz manifesto o medo.
O medo se agrega na mente, claro. Medo de altura na verdade é não saber se vai se manter firme ou cair e se cair, o medo de quebrar alguma coisa ou morrer, exemplo mais prático que isso é o tradicional medo do escuro, não saber o que tem ou, fantasiando, não saber o que pode sair das sombras. Não conhecer é perigoso, é sem graça, é pobre, é medonho. O meu maior medo até o momento é chegar no final do texto sem saber a cor do medo.
     Logo sabendo como acontece sabemos o que fazer para não acontecer, nunca ouve relatos de alguém que lotou sua memória ou que seu lobo temporal explodiu por espaço insuficiente, portanto (um fundamento) coletar o máximo de informações, gerar o máximo de conhecimentos possível caminha para mais longe de medos, entretanto, talvez contrapondo, alguém que convicto afirma não ter medo pode dizer que resolveu todas as suas dúvidas ou que apenas não encontrou mais nada que o surpreendesse a ponto de amedrontá-lo, o que é triste, pois indica que não houve mais desenvolvimento intelectual, embora um simples caminhar em um beco escuro e desconhecido faria qualquer pessoa comum ter medo. 
    O fato é que todos têm medo e a razão leva a dissipá-lo de uma vez por todas ou momentaneamente. Segunda a psicologia cores representam sentimentos, cada uma subdividida em suas tonalidades, o medo é cor nenhuma, porque não se sabe.


"Medo que dá medo do medo que dá"




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