Perca o tempo

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011 2 comentários


                E se todos esquecermos as datas, ninguém conseguir fazer alguma referencia quanto ao dia, mês, ano nem hora e se o tempo se fosse e as únicas formas de contagem que teríamos seriam a lua e o sol e as rugas da pele, ignorando as sombras? Todos nós descansaríamos das amarras do tempo, mas chegaria um momento em que, entediados, cansaríamos de descansar e então como seria? Para os religiosos motivo de ganhar fiéis/dinheiro, inventariam alguma profecia, alguma coisa dita que sirva de previsão ou das próprias palavras de Jesus fariam distorção pra fundamentar uma razão. Para os poetas delirantes, amantes da arte e do Belo, aproveitariam pra seguir o fluxo do tempo perdido, e recuperar todo tempo gasto com outras coisas, pra fazer uma bela canção, uma declamação, uma nova composição.  Para os namorados um tempo a mais pra ficarem juntinhos, em carinhos, amassos e beijinhos. Para os velhos aposentados nenhuma diferença, o mesmo gamão, o mesmo bordão, a mesma conversa. Para as crianças que sempre estiveram perto dos pais um tempão de diversão, para os pais um tempo sem as crianças e para as crianças longe dos pais um tempo pra ficar perto. Para as putas um tempo pra pensar em continuar ou não, sem prazer, mas com erosão, com gozadas sem tesão, um pensamento confusão. Para os capitalistas selvagens o mesmo tempo pra ganhar, gastar, recuperar, superar, só que neste novo tempo sem tempo e reformular a frase "tempo é dinheiro". Para os sonhadores otimistas tempo de alcançar, conquistar, para os pessimistas é tempo de desistir, parar. Para os cientistas é tempo de inventar ou pesquisar a nova formula do tempo. Para os desiludidos é tempo de uma nova paixão, calor no coração. Um tempo sem tempo, contradição. 
                Faria todos mudarem as vidas, viveríamos as nossas vontades ou, no embalo do contraponto, faríamos o oposto do que temos feito. Eu esperaria que, sobretudo, fosse um tempo de aproximações e reaproximações, um tempo pra entender que em todas as pessoas a humanidade é a mesma e que todos somos capazes de amar, tempo pra cumprir nosso maior desafio em acreditar num fundamento limpo sem ter que exagerar, tempo de limpeza, sem frieza, tempo de cuidar, tempo onde todos consigam olhar uns aos outros e não ver o diabo como costumamos ver, mas enxergar a Deus. Talvez tempo generalizado utopia, mas um tempo real pra uma quantia. 

2 comentários:

  • Nair Pessoa disse...

    O homem precisa aprender a lidar com o tempo criado por ele mesmo e seu tempo de ação, tempo emocional. Somos imediatistas mas, como disse Barry Stevens: Não apresse o Rio,ele corre sozinho.

Postar um comentário

Sem contemplação, o interessante é a participa-ação, Comente bem

 

©Copyright 2011 O narrador | TNB