As Paredes

terça-feira, 13 de dezembro de 2011 0 comentários

Mire as paredes, veja as paredes
Veja as paredes, mire as paredes
Veja, ouça, sinta toque
Veja, ouça, sinta eu também

As paredes são feitas de giz, olhe pras paredes,
Não vai ver o reflexo dos seus olhos,
não vai ver o reboco ou a pintura,
vai ver suas lembranças, vai ver seu passado, vai imaginar o futuro,
Mas elas não vão te deixar sair do chão porque elas são reais.

Tem um monstro escondido atrás dos meus olhos,
é culpa, a vergonha, o engano,
sou eu menino, sem juízo, sem decisão,
as paredes são minha Epifania,
as paredes me fazem ver além do giz, além dos olhos, além do monstro!

As paredes, as paredes
Querem me guardar, me proteger
Mas me prendem
Não são as mesmas paredes que prendem o monstro em mim
Talvez eu não seja o monstro
Talvez os monstros sejam os que estão pintados de beleza
E eu queira só fazer o bem
A dor é tanta que o sangue em mim parece não correr
Mas escorrer lento e martírio, cortante pra maltratar
O que escorre nos meus olhos não são lágrimas
São gotas de chuva que eu tomei
Correndo atrás de um futuro que não alcancei

E o passado me abraçou até aqui

Eu prefiro estar assim sabendo o que eu sei
Do que bem melhor,mas sabendo nada
Eu prefiro chegar bêbado, caindo, mais sorrindo
Do que são engolindo o choro fingindo que está tudo bem

Amanhã eu explico o que aconteceu
Mas hoje eu vou dormir

0 comentários:

Postar um comentário

Sem contemplação, o interessante é a participa-ação, Comente bem

 

©Copyright 2011 O narrador | TNB